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Custo industrial no Brasil como limitador dos investimentos

Por Luís Antônio Licks Missel Machado – luis@www.odykeller.com.br

Os custos para as indústrias brasileiras aumentaram em 6,3% durante o ano de 2012, segundo o Indicador de Custos Industriais da Confederação Nacional da Indústria.

Os lucros da indústria, sob a ótica econômica, podem ser determinados como sendo resultado das receitas menos os seus custos. Portanto, avaliando-se unicamente o lado dos custos, em 2012, é fácil constatar que houve uma pressão inflacionária para a produção de riquezas no país, possivelmente associada com uma redução dos lucros.

Talvez essa seja uma explicação plausível para o desempenho de recessão da participação industrial no PIB do ano passado: -2,5%.

Por outro lado, ao se especificar os custos “por espécies”, chama a atenção que o item que mais contribuiu para esse aumento foi o custo dos insumos importados, que tiveram um aumento expressivo de 15,3%, bem como o custo com mão de obra, de 10,8% (mesmo com setores da economia tendo a folha de salários “desonerada tributariamente”).

Outro item de custo que esteve bastante em foco no início de 2013, o da “energia elétrica”, representou apenas 4,3% dos custos em 2012. Aliás, esse custo sobre a energia é considerado um “custo variável”, pois quanto mais a indústria produzir, maior será esse custo (porque maior será a conta de luz). Ou seja, caso a indústria produza pouco em 2013, o custo da energia elétrica, ainda que “incentivado” pela redução das tarifas, provavelmente terá pouca relevância na formação dos lucros.

Já os custos fixos, como o próprio nome diz, permanecem mesmo no caso de redução da atividade industrial, e assim, proporcionalmente, tornam-se cada vez mais um elemento redutor do lucro.

E havendo redução de lucros, ou seja, sobrando menos dinheiro das receitas recebidas pela indústria (em decorrência do aumento dos custos), obviamente sobra menos dinheiro para investimentos.

Então, por essa linha de argumentação, talvez se encontre a chave para a explicação para o fenômeno ocorrido em 2012 no Brasil, em que o volume dos investimentos recuou significativamente, apresentando uma variação de – 4% (recessão).

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