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Inovação como prática no setor calçadista

Num mercado cada vez mais competitivo, inovar se tornou uma condição fundamental para a sobrevivência da indústria calçadista. Porém, muitas empresas do setor ainda resistem ao assunto, num conservadorismo que pode custar muito caro ao desenvolvimento do calçado brasileiro tanto no mercado doméstico como mundial.

O professor e consultor, Maximiliano Selistre Carlomagno, ressalta que a inovação deve ser um processo gerenciado e não randômico, como ocorre em muitas empresas dos mais diversos segmentos. “É preciso transformar a inovação em prática do dia a dia. O tema, certamente, é muito pensado, mas quase nada praticado. Os senhores sabem quanto tempo dedicam à inovação diariamente?”, provocou o especialista para uma plateia de empresários durante o 17º Seminário Nacional da Indústria Calçadista (SNIC), evento promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) no início do mês.

Segundo ele, é preciso que sejam criados indicadores de resultados que façam parte de um planejamento consistente no âmbito da empresa. Para o especialista, a inovação é um processo contínuo e que pode garantir um lugar de destaque no mercado atual. As empresas inovadoras tendem a ser mais estáveis. “Quando ações das bolsas caem, as dos empreendimentos inovadores caem menos. O mercado, de certa forma, dá salvaguardas a essas empresas”, disse.

Carlomagno listou quatro passos para inovação: idealização, conceituação, experimentação e implementação. Os passos são necessários, pois, segundo o consultor, pelo menos 95% do que se transforma em produto inovador diverge da ideia original. “As pessoas precisam parar de se apegar às ideias. É muito comum, depois de algumas adaptações na ideia original, o idealizador largar o projeto”, apontou. Segundo ele, a inovação exige que o empresário viva o ponto de venda, crie novas ofertas no canal de distribuição e na cadeia de fornecimento.

“Lei do Bem” Ainda no mesmo painel, o consultor da Ernst & Young, Guilherme Motter, falou sobre o uso da “Lei do Bem” – Lei 11.196/2005 – nas empresas. A lei, que prevê incentivos fiscais às atividades de pesquisa e desenvolvimento, ainda é pouco acionada pelos calçadistas, embora venha numa crescente junto a outros setores. Em 2006 foram beneficiadas 130 empresas com uma renúncia fiscal de R$ 229 milhões, número que saltou para 767 e R$ 1,6 bilhão, respectivamente, em 2012. Segundo ele, embora o relativo sucesso da Lei do Bem, a participação do empresariado brasileiro que investe em pesquisa e desenvolvimento ainda é tímida. “Ela gira em torno de 15% a 20% do total de empresas que realizam atividades de pesquisas”, disse. O profissional explicou que, conforme e lei, inovação é um novo produto ou processo de fabricação, bem como a agregação de novas funcionalidades ou características aos mesmos, implicando melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade. “Inovação, para a lei, não é invenção”, frisou.

Para Motter, a principal dificuldade encontrada para o uso do benefício na indústria calçadista é a falta do controle sobre os projetos, horas gastas e informalidade, além do nível técnico dos envolvidos.

A Lei do Bem concede benefícios fiscais no Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Nunca houve tanto recurso disponível para inovação Na sequencia, o professor David Martin Johnson, da Agência Tecnológica da PUCRS, discorreu sobre as agências de fomento nacionais e internacionais. Segundo ele, nunca houve tanto dinheiro disponível para projetos inovadores no País. Ele listou fomentadores oficiais como o Ministério de Ciência e Tecnologia, Finep, CNPq, Fapergs, BNDES, entre outros. “São mais de 16 fundos setoriais disponíveis”, ressaltou o especialista, convidando os calçadistas a realizarem projetos conjuntos, já que a “possibilidade de enquadramento é maior”. Johnson explicou que os recursos têm ido cada vez mais para empresas e menos para a academia e que, por essa razão, os empresários precisam ser alertados sobre o dinheiro disponível. “Com competência técnica e os parceiros corretos o projeto, se inovador, tem grande chance de ser aprovado”, destacou, listando uma série de cases.

No calçado A última palestra do painel ficou a cargo do professor Aluísio Ávila, coordenador do Laboratório de Biomecânica do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC). Falando sobre a inovação na cadeia produtiva do calçado, ele salientou que inovar é aplicar novos conhecimentos associados ao desenvolvimento da ciência e tecnologia desde que tenham demanda social. “A inovação precisa ser aplicada à realidade”, frisou. Segundo ele, para ser inovador o produto precisa “sair do papel” e, no caso do calçado, ser orientado para a necessidade de locomoção, com conforto, saúde do pé e outras variáveis. “Para a indústria calçadista existe um campo muito vasto neste setor”, concluiu Ávila.

Fonte: Abicalçados – Acesso em 17/05/2013 – http://goo.gl/SvwiL

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