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Dilma quer conter avanço dos bancos públicos no mercado de crédito

Os bancos públicos receberam ordem da presidente Dilma Rousseff de conter o seu avanço no mercado de crédito para evitar uma maior presença estatal no sistema financeiro. A Caixa Econômica Federal, que já vinha cortando a concessão de empréstimos a grandes corporações, poderá ser obrigada também a desacelerar a oferta de crédito a pessoas físicas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estuda reduzir linhas de crédito criadas na crise de 2008 e dirigir seus esforços para o financiamento das concessões.

O governo estuda reduzir algumas linhas de crédito criadas em 2008 e 2009, quando a economia brasileira teve forte contração como reflexo da crise mundial. A principal delas é o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que, desde meados de 2009, já emprestou R$ 237 bilhões – R$ 61 bilhões apenas neste ano -, a juros negativos (abaixo da inflação).

O diagnóstico do governo é que os bancos públicos tiveram papel anticíclico fundamental nos anos recentes, garantindo a oferta de crédito e ajudando a sustentar a demanda agregada num período de retração dos bancos privados. Agora, quando crescem as críticas das agências de rating sobre os riscos fiscais da ação dos bancos públicos, seria o momento de caminhar para uma “normalização”.

Fontes ouvidas pelo Valor Econômico sustentam que o governo age com o intuito de minimizar o risco de um rebaixamento do risco soberano. No Ministério da Fazenda, a versão é de que uma coisa não tem nada a ver com a outra.

De certa forma, os bancos públicos já vinham colocando o pé no freio. Uma das preocupações é que os bancos privados, até o momento, estão com um apetite limitado de risco, evitando ocupar o vácuo deixado pelas instituições financeiras oficiais.

O PSI foi criado pelo Ministério da Fazenda. O funding é do BNDES, que cobra juro de 3,5% ao ano – no primeiro semestre, a taxa foi de 3% ao ano. A linha é oferecida para financiar bens de capital (máquinas e equipamentos), incluindo ônibus e caminhões (neste caso, o juro é um pouco maior: 4% ao ano). O custo do crédito é inferior também ao do Finame, linha tradicional do BNDES para financiar a aquisição de bens de capital.

O PSI está programado para acabar em 31 de dezembro deste ano. O BNDES não se opõe ao fim do programa ou a uma redução drástica nos valores e no subsídio oferecidos. Na verdade, o presidente do banco, Luciano Coutinho, vem discutindo já há algum tempo, com a presidente Dilma Rousseff, a desaceleração das concessões com base no PSI. O governo, segundo apurou o Valor, deve manter o programa, mas sob condições mais estritas.

Outra linha do BNDES que deverá ser revista é a do Progeren (Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda), criada em 2004 para financiar capital de giro.

A Caixa reduziu de forma drástica a concessão de empréstimos a grandes corporações, desacelerando o ritmo de crescimento da sua carteira de crédito de mais de 40% para cerca de 35%. Mas poderá ser obrigada a ir além. Ainda não começou a discussão formal sobre como fazer isso dentro do banco. Uma fonte ouvida pelo Valor diz que, no leque de alternativas, existe a hipótese de tornar ainda mais conservadores os modelos de risco de crédito, restringindo a oferta. Outra alternativa seria subir os juros e fazer parte da demanda por crédito se deslocar para os bancos privados. Ambas as hipóteses significariam crescer em ritmo menos intenso em crédito a pessoas físicas e pequenas empresas.

Fontes afirmaram que, no caso do Banco Brasil, com uma meta de expansão de carteira de 17% a 21% em 2013, não há necessidade de rever muito a estratégia. O banco tem capital aberto e está submetido à disciplina de mercado. O BB tem contribuído para atrair bancos privados aos consórcios que financiarão as concessões.

Fonte: Brasília em Tempo Real – Acesso em 29/10/2013 – http://goo.gl/GeaOAz

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